Viagem à Terra do Nunca. San Pedro de Atacama.


Viagem a San Pedro de Atacama.


Viagem à  Terra do Nunca. Você, caro leitor, deve estar imaginando porque esse título. Pois bem, explicarei. Viajar pelo norte argentino e depois Chile foi uma experiência única, como aquela feita pelos irmãos Wendy, Miguel e João juntamente com Peter Pan. Pois até voei, como eles. Olha aí...



Partimos de Foz do Iguaçu, Gilmar e eu,  com nossas bicicletas no porta malas e muita disposição para aventura em novembro de 2015. Nossa primeira parada, Corrientes, na Argentina. Tudo certo. Peças obrigatórias para se viajar pela Argentina: Carta Verde, que é um seguro obrigatório para veículos que ingressam em países do Mercosul. O objetivo do seguro é proteger terceiros afetados por acidentes de trânsito, no período da viagem. O cambão, uma peça comprida e rígida com o qual se puxa um veículo com o uso de outro. Sacos mortuários, isso mesmo, meu caro, o número de sacos têm que ser igual ao número de passageiros. Dois triângulos e lembrar de trafegar sempre com os faróis acesos. Agora é lei no Brasil também.
A distância de Foz à Corrientes é de 621 km. Chegamos no final da tarde e nos hospedamos em um Airbnb, um excelente flat localizado nos fundos de uma casa no centro da cidade que nos custou $664 pesos argentinos. 
Na manhã seguinte seguimos para Salta, a 837 km de Corrientes, um de nossos destinos turísticos. Salta, La Linda, como é chamada por seus moradores, está situada aos pés da Cordilheira dos Andes e é a capital da província de mesmo nome.  Reserva um rico conjunto arquitetônico.
Nosso Hotel, Donna Alda. Bom.
Plaza 9 de Julio
 San Martin
 A imponente Catedral de Salta, que fica na Plaza 9 de Julio. Construída no século IXX, a catedral exibe a imagem da Virgem do Milagre, santa a quem os fieis atribuem a salvação da cidade em um terremoto ocorrido em 1642

 Dentro da Catedral

O Cabildo de Salta. Aqui abrigava o poder político da capital no passado. Hoje funcionam os Museus Histórico do Norte e Colonial e o  de Belas Artes. É o edifício mais antigo da cidade.
 A Igreja de San Francisco
Gilmar estacionando sua bicicleta ao fundo.

 O Bonde do Cerro San Bernardo
Subindo...


 Salta, La Linda.

O Convento. 



É de fundamental importância que você, caro leitor, vá comer no Doña Salta, um restaurante que serve as famosa empanadas salteñas. Meu deus do céu! Que delícia! São assadas em forno a lenha. Fica na rua da igreja de San Francisco, no centro de Salta. Eles possuem uma variedade de pratos, mas as empanadas são o carro chefe.

Passamos dois dias aqui. O suficiente para desbravar La Linda. 
Seguimos para Tilcara, na província de Jujuy. De Salta à Tilcara são 207 km de muita beleza natural. Montanhas coloridas, rios, cactos gigantes (os famosos cordones), uma paisagem bem rude, diferente do que os brasileiros estão acostumados lá pro lado de Buenos Aires. Tudo muito lindo! 
A caminho de Tilcara.



 Tílcara, fundada em 1586, é chamada de Capital Arqueológica e Museística do Estado de Jujuy.

 Nos hospedamos aqui, em La Casa Del Indio, também pelo Airbnb. $450,00 pesos a diária.
 Restaurante em Tilcara.
Tilcara fica próximo à Humahuaca, mais precisamente 45 km pela RN 9. Aproveitamos para conhecer o Monte das Doze Cores.
Olha ele lá, há 4.350 metros a cima do nível do mar, povoado por vicunhas curiosas. É uma região de rara beleza.

As vicunhas.





 A estrada que leva até o Monte das doze cores não é asfaltada, mas estava em boas condições.

No dia seguinte seguimos no sentido oeste, em direção ao Chile e passando por Purmamarca.
Essa pequena Vila na Quebrada de Humahuaca, que aliás me esqueci de mencionar que é Patrimônio da Humanidade, abriga um imponente marco natural, o Cerro de Sete Colores.
A vila abriga uma feira de artesanato multicolorida, para combinar com o cerro. Aqui nos preparamos para subir os Andes em direção ao Chile pela RN 52. Foi a primeira vez que mastiguei folha de coca.




O que é isso? Folha de coca para amenizar os efeitos da altitude da Cordilheira dos Andes. Um hábito muito comum por aqui.
Subindo os Andes pela RN 52  até o Paso de Jama, a região que faz fronteira com o Chile, são 256 km. No caminho de paisagens deslumbrantes, passamos pelo Salar de Olaroz. Gilmar, que adora dirigir, curtiu um monte essa estrada aí.
 Ao fundo, o Salar.



 No caminho, além das vicunhas, animal típico da região, encontramos lhamas também.
Chegamos na fronteira. Chegou a hora de entrar no Chile, em direção à San Pedro de Atacama. A apresentação de documentos, a revista nas malas e no carro são minuciosas pela polícia fronteiriça.

Pela Ruta del Desierto, as paisagens são deslumbrantes. Parávamos todo o tempo para fotos, ou simplesmente curtir o vento, a paisagem e a solidão.




 Salar e Laguna de Tara. Fazia frio e ventava muito, mas a paisagem era de tirar o fôlego. 


Já próximo de San Pedro de Atacama, passamos pelo Vulcão Licancabur. Com seus 5.917 metros de altitude, este vulcão é considerado adormecido, não extinto.Vai um salzinho aí? rs...

Chagamos a San Pedro de Atacama. Distância da fronteira é de 154 km. Aqui é a base para se explorar o Deserto do Atacama. Caracoles é sua rua principal, repleta de agências de turismo que oferecem excursões por todo o deserto, restaurantes e bares. A maioria das ruas é assim, de terra batida, tudo muito simples, cheio de cachorros por todos os lados. Os cidadãos locais se misturam com turistas do mundo todo. Você sente uma energia incrível no vilarejo. Pesquisando, vi que San Pedro de Atacama é considerada um dos centros magnéticos da terra. Tá explicado. "A Terra do Nunca". E tem mais: "O Atacama é o deserto mais alto do mundo, sempre acima dos 2.400 metros de altitude; é, também, o deserto mais seco do planeta, com áreas onde não chove há mais de 23 milhões de anos e sua temperatura pode variar de negativa a 40 graus". (Pé Na Estrada)
.
 Foi com essa agência, a Desert Adventure, que fizemos alguns passeios.


 Igreja de San Pedro de Atacama.
 Ao fundo nessa foto pode-se avistar o Vulcão Licancabur.


 Nosso hotel. Razoável e caro. Mas em San Pedro tudo é muito caro.
 Na Praça de San Pedro de Atacama assistimos a apresentação de uma orquestra. 
Euzinha e nossa térmica cheia de água geladinha, pronta para um passeio. 
Nosso primeiro passeio foi no Valle de La Luna.
Não contratamos nenhuma agência de turismo para esse passeio, pois nos informamos que poderíamos entrar com o nosso carro dentro do parque.
 Contemplação, isso é o que você faz no Valle de La Luna. 
No Vale da Lua você contempla grandes dunas, paredões de sal e montanhas arenosas que se modificam sempre pela ação dos ventos. 
 Cavernas em meio as formações rochosas. Cueva de sal.



 A grande duna.

 Paredões de sal.

Tudo aguça muito sua imaginação. 
 As Três Marias.

Essa panorâmica mostra o Anfiteatro à direita, uma formação rochosa que lembra um estádio de futebol, ou o Coliseu de Roma. O terreno branco é tudo sal.
O Anfiteatro.
À tarde fomos passear de carro pelas redondezas de San Pedro. 




No fim de tarde fomos ver o pôr do sol no Vale da Morte. Da Cordilheira do Sal tem-se uma visão deslumbrante do Vale da Lua e do sol se escondendo no horizonte.
 Adivinha quem são?


 Ao fundo o Vale de La Luna.


Voltamos para San Pedro para jantar e descansar, pois no dia seguinte seguiríamos ainda de madrugada para os Gêiseres Del Tatio.
Com a empresa de turismo Desert Adventure, seguimos de van ladeira acima. Localizados a 4.200 metros de altitude, e a mais de duas horas do centro de San Pedro de Atacama, os Gêiseres Del Tatio entram em atividade antes do amanhecer. Por isso saímos bem cedo e sob um frio de menos dois graus Celsius. Muito frio! No Atacama é assim, muito calor durante o dia e muito frio à noite. Você se veste por camadas. Conforme vai esquentando, você vai tirando as peças.
É um espetáculo a parte ver esses vulcõezinhos expelindo água a mais de oitenta graus celsius. Vale a pena o sacrifício de sair tão cedo.





No campo geotérmico, onde ficam os gêiseres, há uma piscina termal. A temperatura da água é de 40 graus Celsius. Vamos dar um mergulho?
 Pensando bem... sem chances! Sou muito friorenta.

Aqui  estamos tomando nosso café da manhã, patrocinado pela Agência Desert Adventure.

Após o café da manhã com aquela paisagem surreal, começamos nosso caminho de volta a San Pedro. No caminho ladeira abaixo, conhecemos Machuca, um vilarejo com algumas casinhas de barro e uma igrejinha.


Nesse vilarejo, os poucos moradores esperavam os turistas, voltando dos gêiseres, com espetinhos de carne de lhama e pasteis de queijo de cabra. Como não sou muito do queijo, arrisquei o churrasquinho. Quem quer? Tem gosto de carne de carneiro. rs...




 Fauna e flora do Atacama.


No terceiro dia fomos conhecer, também, com a Desert Adventure, as Lagunas Altiplânicas e o Salar do Atacama. Paisagens de tirar o fôlego! Lindo, lindo, lindo!
 

Partimos às seis da manhã e chegando no nosso primeiro destino, a Laguna Miñiques duas horas depois, a companhia de turismo nos serviu o café da manhã ali, de frente para aquela paisagem de tirar o fôlego. 
Esse café estava delicioso! 
Da Laguna Miñiques, seguimos em caminhada até a Laguna Miscanti. Linda também! 
Essas lagunas estão a mais de 4.200 metros de altitude, o que torna o cenário ainda mais impressionante

Avistamos flamingos lá do outro lado da Laguna Miscanti.

 A gente não se cansa de tirar fotos. Queria registrar cada detalhe do lugar.

Essa raposa andina veio ao nosso encontro em busca de comida. Nosso guia nos aconselhou a nunca alimentar esses animais para não alterar a sua cadeia alimentar.  
 
No caminho em direção ao Salar de Atacama, passamos por um pequeno vilarejo com o nome de Socaire. Descansamos próximos à igrejinha.


 Chegamos ao lindo e exótico Salar do Atacama. 
Ouvimos uma palestra de nosso guia sobre a importância do Salar para o Chile e depois fomos caminhar por entre as pedras de sal. Os flamingos são as estrelas do lugar. Majestosos, roubam a cena. Na verdade, completam, com sua beleza, o que já é belo.






Tocanao, esse outro vilarejo muito fofo estava no nosso caminho de volta a San Pedro de Atacama. Nossa parada foi rápida, mas tivemos tempo de alimentar as lhamas.


 No meio da praça de Tocanao ele se impõe majestoso, o Cordone gigante do Atacama.


Na manhã seguinte voltaríamos à Argentina. Paramos novamente na Cada del Indio em Tilcara antes de seguirmos viagem em direção sul. Do Atacama levamos muitas fotos e a certeza de voltarmos um dia. Foi uma viagem espetacular á Terra do Nunca! 

 Los Cordones Gigantes.

... e mais uma vez consegui voar com o pó de pirlim-pim-pim da fadinha do deserto.

Nosso próximo destino era Cafayate, já na Argentina. Pela RN 68, percorremos um caminho surpreendente. Ao longo da Reserva Natural Provincial Quebrada das Conchas vimos formações rochosas que aguçaram nossa imaginação. Conhecemos a Garganta del Diablo, uma grande parede circular de 50 metros de altura. Muito interessante.




Nossa passagem por Cafayate foi rápida. Seguimos para as Termas do Rio Hondo para descansarmos antes de voltarmos à Foz do Iguaçu.


Para despedirmos, saboreamos uma deliciosa carne de lhama acompanhada de um bom vinho.


 A sobremesa.

Até a próxima!









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